Sunday, June 04, 2006

sinto que na "comuna" viajo. na forma
repetitiva como mensalmente a enfrento
está lá o abismo do amanhã, a mesma
vertigem que enfrento no desconhecido.

ainda assim não hesito e vou, da mesmissima
forma que largo tudo para me fazer à
estrada. para me encontrar. para saborear
a doce solidão que jaz em todos os desertos
que já enfrentei. mesmo sabendo que o
desígnio final habita entre uma noite
conseguida e a desilusão não absoluta.

e encarar aquelas horas desta forma só
me podia levar a "lugares" e pessoas que
jamais me permitiria alcançar. e devolve-
-me a sensação de que, afinal, o meu ponto de
chegada depende de todas as emoções que
segui durante o caminho.

esta foi das coisas mais belas que
aprendi e que espero deixar testemunho.

Friday, June 02, 2006

hoje encontrei um amigo que
me segredou:

"os homens não fortalecem o
seu carácter colocando-se
sempre do lado dos vencedores.
Há uma estranha serenidade
que só se adquire nas derrotas
e, algumas vezes, na reclusão
que deve suceder às humilhações."

eu, concordei.

paragrafo by António Sousa Homem
@ ns 27 maio, 06

Wednesday, May 31, 2006

na escuridão de um
enorme buraco,
parece que tenho
encontrado sempre o fim.

em verdade,
sempre por ali imaginei
o principio a correr de espanto,
rugindo de feição.

há dias em que
pressinto a crueza de
uma missão impossivel.

Thursday, May 25, 2006

o cheiro do fundo do poço
surge muito antes de lá chegarmos.

ou nunca venceremos o final?

Wednesday, May 24, 2006



pedrocabritareis@napoli.

cruzas-te os resquicios
de um sonho meu,
coberto de verde cinza.

rasgavas o firmamento, soturno,
e eu ali, espantado,
com uma nebulosa sede de viajar
entre as minhas mãos.

contemplei as tuas asas,
e tremi quando tentei
segurar o tempo.

e enchi-me de céu quando
uma lágrima caiu no desaviso.
afinal, ainda restava um
pouco de mim.

Wednesday, May 03, 2006


© bleda y rosa (1969,1970)



Os viajantes do deserto adoram
a generosidade acidental.

e claro, o amor dos ventos, o segredo
que se encontra nos pormenores, essa
perturbante sensação de viajar sem fim,
sem reconhecer a vertigem do próximo passo.
deixar tudo e apenas ser...
hoje, amanhã e quando o tempo assim o desejar.

há coisas para as quais
ainda vale a pena sobreviver.

Tuesday, May 02, 2006


morrisey - ringleader of the tormentors (2006)

o caminho tem dias assim.

cobertos de azul, sentenças de morte,
aliados fugidios e segundos perdidos.

it's the same old "as"

Followers